Como Escolher Quem Faz o Seu Site (Checklist e Sinais de Alarme)
2026-08-24 · 7 min de leitura
A maioria dos maus projetos de criação de sites falha antes de se escrever uma linha de código. Falha na contratação — porque quem compra não tem forma de distinguir um bom profissional de um bom vendedor.
Esta checklist resolve isso. Funciona quer acabe por trabalhar connosco, com um freelancer ou com uma agência de Lisboa. Cada ponto verifica-se em menos de dez minutos, antes de assinar seja o que for.
A checklist de 7 pontos
1. Um portefólio em que pode clicar
Capturas de ecrã não provam nada. Uma imagem pode ser um mockup, uma demo de template ou trabalho de outra pessoa. Peça endereços reais e abra-os no seu telemóvel. Depois verifique três coisas:
- O site carrega em menos de 3 segundos?
- Ainda está online e atualizado, ou foi abandonado?
- O rodapé ou o código creditam realmente quem está a falar consigo?
Se lhe mostram cinco projetos e só um tem link a funcionar, essa proporção diz muito.
2. Entregas com data
Qualquer pessoa pode afirmar "mais de 50 projetos entregues". Faça uma pergunta mais simples: "O que entregou nos últimos 90 dias, e em que data ficou online?" Um profissional sério responde com factos — um endereço e uma data. Respostas vagas ("já fizemos muitos projetos como o seu") são um não disfarçado.
3. Quem faz mesmo o trabalho
É a pergunta mais ignorada e a mais cara de ignorar. Muitas agências vendem com um perfil sénior e entregam com juniores ou subcontratados que nunca conhece. Pergunte diretamente:
- Quem escreve o código do meu projeto?
- Quantos anos de experiência tem essa pessoa?
- Vou falar com ela, ou só com um gestor de conta?
Não há nada de errado em equipas pequenas ou profissionais a solo — muitas vezes pelo contrário. Errado é não saber.
4. O site é seu: código e contas em seu nome
Antes de pagar, exija por escrito que, com o pagamento final, ficam em seu nome:
| Ativo | Porque importa |
|---|---|
| Domínio (.pt ou .com) | Registado na sua conta, não na do fornecedor |
| Código-fonte | Acesso completo ao repositório, não só ao "site no ar" |
| Alojamento | Pode mudar de fornecedor sem pedir autorização |
| Acessos de administração e analytics | Fica com os seus dados se os caminhos se separarem |
A armadilha clássica: o site funciona bem até tentar sair — e aí descobre que o domínio, o alojamento e o código pertencem ao fornecedor. Reconstruir do zero custa mais do que o projeto original.
5. Preços publicados e comparáveis
Não precisa de um orçamento exato no primeiro dia, mas precisa de uma tabela pública. Quem publica preços está a dizer-lhe que cobra a todos pela mesma lógica. Quem responde "depende, marque uma reunião" está muitas vezes a fixar o preço pelo que parece que consegue pagar.
Para referência, valores típicos do mercado português em 2026: freelancers em marketplaces cobram cerca de €350–1.750 por um site pequeno; para PME, €600–1.500 é geralmente visto como um valor justo; agências de Lisboa pedem €3.000–6.000 por um site institucional e €3.500–10.000 por uma loja online; aplicações verdadeiramente à medida começam nos €15.000. Muito abaixo destes intervalos, está normalmente a comprar um template com o seu logótipo.
(Aplicamos a mesma regra a nós próprios: peça um orçamento e recebe um preço fechado, por escrito, para comparar — não um "depende, marque uma reunião".)
Nota sobre apoios: o Vale Digitalização (Portugal 2030) apoia PME até €20.000, com cofinanciamento de 75%, e cobre "presença digital e website profissional". As condições mudam — confirme os termos em vigor em portugal2030.pt antes de contar com o apoio.
6. Manutenção por escrito, com números
Um site precisa de atualizações: segurança, backups, pequenas alterações. No mercado português, a manutenção varia entre €30 e €300/mês consoante o âmbito. O número importa menos do que a definição. Exija por escrito:
- O que está incluído por mês (horas? tarefas? só atualizações?)
- O que acontece se cancelar — o site continua a funcionar?
- A manutenção é opcional, ou o site foi feito de forma a que só eles lhe possam tocar?
Este último ponto é a armadilha. Um site que não consegue manter sem o fornecedor original não é seu em nenhum sentido prático — volte ao ponto 4.
7. Um compromisso de tempo de resposta
Não "estamos sempre disponíveis" — um número. "Respondemos em um dia útil" é um compromisso que pode cobrar. Se um fornecedor demora a responder enquanto tenta ganhar o seu negócio, não vai ficar mais rápido depois de receber.
Sinais de alarme: quando deve desistir
Urgência falsa. "Este preço só é válido até sexta-feira." Software à medida não é um saldo de colchões. Um preço sério baseia-se no âmbito do trabalho, e o âmbito não caduca à sexta.
Mensalidades escondidas. O site de €600 que afinal exige €90/mês para sempre — por "licenças", "taxas de plataforma" ou alojamento a 5× o preço de mercado. Em três anos, são €3.240 por cima do orçamento. Peça sempre o custo total a 3 anos por escrito.
Sem contrato. "Trabalhamos na base da confiança" significa que não tem âmbito definido, prazo de entrega nem recurso legal. Um acordo de uma página com âmbito, preço, prazo e propriedade é o mínimo. Um profissional oferece-o antes de lho pedirem.
O contador "+0 projetos". Sites com contadores animados — "250+ clientes satisfeitos!", "500+ projetos!" — e nem um único exemplo clicável e verificável. Contadores são decoração. Links são prova.
Zero perguntas sobre o seu negócio. Um bom parceiro pergunta para que serve o site — contactos, vendas, reservas — antes de dar preço. Quem orça na hora a partir de uma frase está a vender-lhe um template, seja qual for a sua necessidade.
Perguntas frequentes
É melhor um freelancer ou uma agência? Nenhum, à partida. Um bom freelancer bate uma má agência, e vice-versa. A checklist acima importa mais do que o rótulo — aplique-a por igual aos dois.
Devo escolher o orçamento mais barato? Compare custos totais a 3 anos, não o preço de tabela. Um site de €800 com mensalidade obrigatória de €120 custa €5.120 em três anos. Um site de €1.800 com manutenção opcional de €49/mês custa €3.564 — e é seu.
Quantas propostas devo pedir? Duas ou três. Mais do que isso, está a comparar documentos de vendas, não quem faz o trabalho. Use antes esse tempo para clicar nos portefólios.
Quanto tempo deve demorar um site para uma PME? Com as ferramentas atuais, um site pequeno e bem definido é questão de dias a poucas semanas — não meses. Prazos longos refletem normalmente a fila de espera do fornecedor, não o trabalho em si.
Em resumo
Clique no portefólio. Pergunte quem escreve o código. Exija por escrito a propriedade, os preços, a manutenção e o tempo de resposta. Fuja da urgência, das mensalidades escondidas e dos contadores de fachada.
Se quiser ver como respondemos a esta mesma checklist — com preço fechado e âmbito definido — pode pedir um orçamento e receber uma proposta escrita para comparar com qualquer outra.
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