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Tecnologia, Explicada

Sair do Wix (ou do WordPress) Sem Perder o Google: Guia de Migração

2026-08-29 · 5 min de leitura

Há um momento em quase toda a conversa de mudança de plataforma em que o dono do negócio trava: «mas o site já aparece no Google — se mudarmos, perco tudo?». O medo é legítimo, porque acontece: sites migrados à pressa perdem posições que levaram anos a ganhar. Mas a causa nunca é "mudar de plataforma" — é mudar de endereços sem deixar o novo rasto. Feito com método, o Google acompanha a mudança em semanas; nalgums casos, a posição até melhora, porque o site novo é mais rápido.

Já explicámos porquê e quando sair de cada plataforma; este guia é o como.

O princípio que salva tudo: o Google segue endereços

Para o Google, o seu site não é "o site" — é uma coleção de endereços (/servicos, /precos, /blog/artigo-x), cada um com a sua reputação acumulada. A migração destrói posições quando esses endereços deixam de responder. A ferramenta que evita isso chama-se redirecionamento 301: uma instrução permanente que diz "esta página mudou para aqui", e que transfere a reputação junto com o visitante.

Toda a migração séria se resume a: inventariar os endereços antigos, decidir o destino de cada um, e garantir que nenhum morre em silêncio.

O processo, passo a passo

1. Inventarie o que tem. Antes de tocar em nada: a lista completa das páginas atuais. Fontes: o sitemap do site antigo, o relatório de páginas do Search Console (mostra o que o Google conhece), e o Analytics (mostra o que as pessoas realmente visitam). Guarde também os títulos e descrições das páginas com melhor desempenho — levou tempo a acertá-los.

2. Saiba o que é exportável — e o que não é. Aqui as plataformas diferem muito. Do WordPress exporta-se o conteúdo de forma razoável. Do Wix e do Squarespace, o texto e as imagens saem com trabalho manual ou ferramentas de terceiros, o design não sai de todo — e há um detalhe que apanha muita gente: se o blog do Wix gera endereços próprios, cada artigo precisa do seu redirecionamento individual. Reserve tempo para isto no plano; é a parte mais subestimada.

3. Construa o site novo em paralelo. O antigo continua no ar, intacto, até ao dia da troca. Nunca se desliga o velho antes de o novo estar pronto — parece óbvio, e no entanto.

4. Faça o mapa de redirecionamentos. Uma tabela com duas colunas: endereço antigo → endereço novo. Cada página com tráfego ou posições tem destino explícito. Regras de ouro:

  • Página equivalente existe? Redirecione para ela — não para a homepage. Redirecionar tudo para a homepage é o erro clássico que o Google trata como "estas páginas deixaram de existir".
  • Página que decidiu eliminar? Redirecione para a página-mãe mais próxima (um serviço descontinuado → a página de serviços).
  • Mantenha os endereços iguais onde puder — o redirecionamento perfeito é o que não é preciso.

5. O dia da troca. O domínio passa a apontar para o site novo, os redirecionamentos entram em vigor no mesmo momento, e o sitemap novo é submetido no Search Console. Se mudou de plataforma mas manteve o domínio, o Google só precisa de digerir os endereços; se mudou também de domínio, use adicionalmente a ferramenta de mudança de endereço do Search Console.

6. As duas semanas de vigilância. No Search Console, a secção de páginas não encontradas (404) é o seu radar: cada endereço antigo que lá aparecer é um redirecionamento que falhou — corrija-o nesse dia. Verifique também que o site novo não está por engano a bloquear os motores de busca (acontece mais vezes do que devia: a opção de "esconder da pesquisa" usada durante a construção que ninguém desligou).

O que muda mesmo, e o que é mito

  • Mito: "mudar de plataforma reinicia o SEO." O Google classifica páginas, não plataformas. Endereços preservados + conteúdo preservado = reputação preservada.
  • Verdade: a velocidade conta. Se o site novo é visivelmente mais rápido — e a velocidade pesa nas posições e nas conversões — a migração tende a ganhar terreno depois da poeira assentar.
  • Verdade: há uma oscilação temporária. Dias a poucas semanas de dança nas posições enquanto o Google reprocessa. Normal; pânico só se os 404 se acumularem.
  • Mito: "é melhor lançar o site novo e logo se vê." O mapa de redirecionamentos faz-se antes do lançamento. Depois, já se está a estancar, não a planear.

Este processo é primo direito do que descrevemos para renovar o design sem perder SEO — a diferença é que numa mudança de plataforma os endereços mudam quase sempre, portanto o mapa de redirecionamentos passa de precaução a peça central.


Nas migrações que fazemos, o inventário, o mapa de 301 e a vigilância pós-lançamento fazem parte do trabalho — é a diferença entre mudar de casa com a mudança contratada ou atirar os móveis pela janela. Se está preso a uma plataforma que já lhe fica pequena e o SEO é o que o impede de sair, descreva o site no formulário de estimativa: recebe um valor concreto e a nossa leitura franca de quanto do seu tráfego atual é transportável (spoiler habitual: quase todo).

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