O Site Entrou no Ar. E Agora? O Plano dos Primeiros 90 Dias
2026-08-24 · 7 min de leitura
Há um padrão que vemos vezes sem conta: semanas de trabalho, um lançamento festejado — e depois silêncio. O site fica exatamente igual ao dia em que entrou no ar, durante anos. Quando alguém volta a olhar para ele, os preços estão desatualizados, o formulário deixou de enviar sem ninguém dar conta e a "novidade" mais recente tem três invernos.
O lançamento não é a meta. É a linha de partida. Os primeiros 90 dias decidem se o site se torna um canal que gera contactos todas as semanas ou um cartão de visita caro. A boa notícia: o que há a fazer cabe em duas a três horas por semana e não exige conhecimentos técnicos — exige método.
Este artigo assume que o site passou as verificações pré-lançamento. Se ainda não entrou no ar, comece pela checklist de 20 pontos antes do lançamento e volte cá no dia seguinte.
Semana 1: confirmar que tudo conta
Nada do que vem a seguir funciona com os instrumentos desligados. Quatro verificações, uma tarde:
- Search Console verificado e sitemap submetido. É o painel gratuito onde o Google mostra que pesquisas fazem aparecer o seu site. Verifique a propriedade, submeta o
sitemap.xmle, duas semanas depois, pesquisesite:oseudominio.ptno Google. Zero resultados ao fim de duas semanas significa indexação bloqueada — a avaria mais comum e a mais silenciosa que existe. - Analytics a contar de verdade. Abra o site no telemóvel com dados móveis (não com o Wi-Fi do escritório) e confirme que a visita aparece no relatório em tempo real. Vemos com alguma frequência sites lançados com o código de medição do ambiente de testes: contam zero para sempre e ninguém repara.
- Formulários testados com resposta. Envie uma mensagem de teste e confirme que chega. Depois faça a pergunta que quase ninguém faz: quem responde, e em quanto tempo? Um pedido respondido em 4 horas converte; respondido em 4 dias, o cliente já ligou ao concorrente. Decida por escrito quem é o dono da caixa de entrada e qual é o prazo máximo de resposta.
- Perfil de Empresa no Google apontado ao site novo. URL atualizado, horários confirmados, categorias corretas. Para um negócio local, este perfil traz contactos mais depressa do que o SEO do próprio site — o guia completo do Perfil de Empresa explica cada campo.
Semanas 2 a 4: o circuito das avaliações
O SEO demora meses; as avaliações trabalham logo na semana seguinte. Nas pesquisas locais, quem tem vinte avaliações recentes ganha sistematicamente a quem tem quatro antigas — antes de qualquer visita ao site.
O circuito é simples: identificar o momento de satisfação máxima (a obra entregue, o cabelo pronto, o problema resolvido) e pedir nesse momento, com link direto para a página de avaliação. Um pedido que pode copiar e adaptar:
Olá [nome], obrigado pela confiança! Se ficou satisfeito, uma avaliação no Google ajudava-nos imenso — demora um minuto: [link]. E se alguma coisa não correu bem, diga-nos primeiro a nós, que resolvemos.
As contas honestas: cerca de 1 em cada 3 pedidos diretos resulta em avaliação. Um negócio que atende 15 clientes por semana e pede aos 5 mais satisfeitos consegue 6 a 7 avaliações por mês — perto de 20 ao fim dos 90 dias. É a diferença entre "aparece no mapa" e "é o escolhido do mapa".
É também nestas semanas que se define a métrica certa. Não é tráfego — é contactos: formulários, chamadas e WhatsApp, somados. Cinco minutos à sexta-feira, numa folha de cálculo com três colunas: visitas, contactos, de onde vieram. Quinhentas visitas sem um único contacto não são um resultado; são um alarme.
Mês 2: as cinco páginas que os clientes já lhe pediram
O plano de conteúdos não precisa de sessões de ideias. Durante duas semanas, registe todas as perguntas feitas ao telefone, no WhatsApp e ao balcão. As cinco mais repetidas são as próximas cinco páginas do site.
Num negócio de serviços, a lista é quase sempre uma variação disto:
- Quanto custa — com faixas honestas, mesmo que a resposta seja "depende" (explique de que depende)
- Quanto tempo demora — prazos típicos, do pedido à entrega
- Onde atuam — concelhos servidos, deslocações, custos de deslocação
- O que está incluído — e o que acontece se algo correr mal (garantia, correções)
- X ou Y? — a comparação que o cliente faz sempre antes de decidir
Cada página: 300 a 600 palavras, resposta direta no primeiro parágrafo, sem rodeios. O retorno é triplo: são exatamente as pesquisas que as pessoas fazem no Google; poupam-lhe as mesmas dez chamadas por semana; e dão-lhe um link para enviar em vez de ditar a mesma resposta pela centésima vez.
Mês 3: a primeira revisão — dados, não opiniões
Aos 60–90 dias, o Search Console e o Analytics já contam uma história. Abra os dois e responda a três perguntas:
- Que pesquisas mostram o site? Se as impressões crescem semana após semana, o Google está a ganhar confiança. Se continuam a zero, volte à Semana 1 — há algo por resolver.
- Que páginas recebem visitas — e quais não recebem nenhuma?
- De onde vêm os contactos? A origem que gera contactos merece mais investimento; a que gera apenas visitas, não.
E depois, o passo que quase ninguém dá: remover. A página "Novidades" com um único artigo de abril. A secção de equipa com fotografias por preencher. O serviço que entretanto decidiu deixar de oferecer. Despublique sem dó — um site pequeno e completo transmite mais confiança do que um grande e oco.
É também o momento certo para pedir ajustes a quem fez o site. O que deve caber na manutenção contratada (€30–€300/mês é o intervalo normal em Portugal): alterações pequenas de texto, correção de erros, ajustes ao formulário ou aos botões de contacto. O que é legítimo ser orçamentado à parte: páginas novas, funcionalidades novas, redesign. E se o fornecedor desapareceu depois de receber, acaba de aprender algo importante para o próximo contrato.
Os sinais aos 90 dias
Valores de referência para um negócio local de serviços — uma loja online tem outra escala, mas a lógica de leitura é a mesma:
| Sinal | Verde | Amarelo | Vermelho |
|---|---|---|---|
| Impressões no Google | A crescer todas as semanas | Estáveis há um mês | Zero — indexação bloqueada |
| Visitas mensais | Mais de 300 | 100–300 | Menos de 100 |
| Contactos mensais | 8 ou mais | 3–7 | 0–2 |
| Taxa de contacto (contactos ÷ visitas) | 2% ou mais | 0,5%–2% | Menos de 0,5% |
| Avaliações Google acumuladas | 15 ou mais | 5–14 | Menos de 5 |
A leitura importa mais do que os números. Visitas no vermelho com o resto no verde é um problema de distribuição — resolve-se com o Perfil de Empresa, avaliações e tempo, não com um site novo. Visitas no verde e contactos no vermelho é o contrário: as pessoas chegam e não ligam. Aí o problema está na mensagem, na prova social ou no formulário — e essa é uma conversa legítima para ter com quem construiu o site.
O que isto diz sobre o dia do lançamento
A maior parte dos sites não falha por má construção. Falha por abandono: ninguém submeteu o sitemap, ninguém pediu avaliações, ninguém olhou para os dados aos 90 dias. Se o seu site já está no ar há um ano sem nada disto, não está nada perdido — o plano funciona exatamente igual a começar hoje.
E se ainda está antes da linha de partida — a planear o site ou a escolher quem o faz — escolha um parceiro que entregue o site com os instrumentos ligados e um plano para os 90 dias seguintes, não apenas um link e uma fatura. Descreva o seu projeto em dois minutos em /pt/estimate e diga-nos onde quer estar daqui a 90 dias.
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